Ovation sem ovação

De Confins para o Pizzarello, onde tocava um violão Ovation e cantava.

Sergio Vilas-Boas

O Pizzarelo era um bar ruidoso, enfumaçado e quente por dentro. Ruidoso, enfumaçado e um pouco mais fresco do lado de fora. Não possuía decoração temática; não era freqüentado por famosos; nunca foi mencionado em guias; e nenhuma de suas especialidades era especial. As pessoas iam lá para beber cerveja, comer petiscos engordurados e ouvir música brasileira.

Ao violão eu cantava apenas razoavelmente. Ter de tocar e cantar – algo tão incompatível, talvez, quanto escrever e falar – ao mesmo tempo me aterrorizava. Por isso as as mãos tremiam e suavam. Tinha de olhar para o braço do instrumento. Conferir se os dedos estavam engatando corretamente os acordes dissonantes que eu aprendera na revista “Violão & Guitarra”. Isso me deixava ainda mais tenso. Como encarar o público e ao mesmo tempo o braço do Ovation (esse modelo de violão era o sonho da turma em 1986)…

Ah, as simultaneidades entre coisas aparentemente díspares de novo a roubar-me o chão. Talvez não passasse de um problema motor. Mas devia ser mais que isso. Sem o violão até que eu cantava bem, sim. Era afinado, exato, com ótimo vibrato, apesar da voz nasalada. Mas medíocre como instrumentista. Me faltava confiança e energia genuínas.

Graças a Deus chegava o Zeca, negro claro, alto, magro, fumante desbragado, bebedor profissional de cervejas, boêmio. Um bonachão de sorriso cativante. O andamento musical de seu ser como um todo ia de piano a pianíssimo. Tão tímido e discreto quanto eu no palco. Éramos vidrados em música, e um foi empurrando o outro para a frente, até que paramos aqui (aos 21 eu curtia o gênero “instrumental brasileiro” e conhecia bastante de jazz e blues).

Com o Zeca junto a parada era outra: MPB. Cultivávamos um repertório amplo. Líamos os pensamentos um do outro. Zeca não cantava nada, é verdade, talvez porque fumasse demais. Mas executava precisamente, sem floreios, sem interpretações, seguindo com disciplina estóica as cifras e batidas indicadas na “Violão & Guitarra”.

Eu sei que vou te amar. Por toda a minha vida eu vou te amar. A cada despedida eu vou te amar… Desesperadamente… O público do Pizzarelo adorava essa interpretação minha, assim como quando eu cantava (com alma) Clareia, manhã. O sol vai esconder a clara estrela. Ardente. Pérola do céu. Refletindo teus olhos. A luz do dia a contemplar teu corpo…

A gente esticava bem os intervalos das apresentações de Marcos Buzana, músico “sênior” do Pizzarelo. Buzana era admirado na cidade. Criatura da noite por excelência, interpretava Djavan como ninguém. Negro baixo e forte, mas não gordo. Rosto redondo, lábios grossos, encimados por um nariz avançado e rotundo. Seus olhos eram côncavos e vivos, giratórios, inquietos. O cabelo rastafári sobressaía.

O ritmo de Buzana contagiava. Percussionava as cordas do violão em sambas, baladas e blues de um modo encantador. E quanta potência e extensão em sua voz de barítono. De tanto freqüentarmos o Pizzarelo às sextas e sábados, Zeca e eu acabamos nos aproximando de Buzana. O Ovation que o Zeca acabara de dedilhar, aliás, havia pertencido ao Buzana, que o vendera para mim.

O público aplaudia a nossa interpretação de “Bons amigos”, do Toninho Horta e Ronaldo Bastos: Diz que vai sumir, finge não me ouvir, briga por brigar. O amor passou, o pior passou, cala por calar. Diz que vai me ver, louca pra me ver chorar… Buzana terminou de comer o seu jantar na cozinha e veio até a mesa dos nossos amigos habitués.

Mais que bons amigos, somos. Muito mais que bons amigos…

“Boa noite. Obrigado. Daqui a pouco o Marquinho Buzana, que deu essa chance pra gente, vai estar de volta aqui com vocês. Esse aqui, vocês sabem, é o grande Zeca. Zeca e o meu violão (risos). Valeu!”, despeço-me.

Sem ovações.

Na mesa dos nossos vários amigos e amigas em comum havia pelo menos uma dúzia de garrafas de cerveja vazias; e quatro cinzeiros lotados; e maços de Carlton amassados; e uma travessa com os restos de uma porção de frango a passarinho e outra com algumas batatas fritas murchas e frias; dois aperitivos esperavam por nós – um presente ritualístico.

Virei um copo de cerveja supergelada e, em seguida, um trago de steinhäger. Soprei o fogo. O gerente do Pizzarelo ligou o tape-deck. Toninho Horta cantou “Aqui, oh!”.

“Essas harmonias que o Toninho Horta faz são demais, não?”, Buzana comentou, exalando seu perfume barato, forte e doce, que podia contaminar para sempre a roupa de quem lhe desse um abraço.
“Cara, tentei fazer essa batida dele na introdução. Mas não consegui, bicho. Não consegui”, Zeca lamentou.
“Tô quase pegando. Te ensino. Pode crer”, Buzana disse confiante. “Pessoal, dá licença que vou rearmar tudo ali. O novo gerente agora é sujeira. Tá de olho em mim. A gente se fala, ok? E obrigado pela canja, duplinha. Valeu mesmo.”

Buzana correu em direção ao palco.

“E aí, como vai a vida?”, Ana me perguntou.
“Legal. Mas cansadaço. E amanhã tô de plantão.”
“No aeroporto?”
“É.”

Eu ia para o Pizzarelo direto do Aeroporto Internacional. Trabalhava na Infraero. Aquela sexta fora complicada. Dois relés do sistema de controle de uma das subestações do terminal de passageiros queimaram na última hora e só consegui pegar o ônibus das 20h, que levou mais de uma hora para chegar ao centro.

“Olha, muito lindo o jeito que você canta ‘Eu sei que vou te amar’. Pura paixão”, Mara disse. Ele era nova no grupo. Convidada de Bianca, fiquei sabendo.
“Mas ele está mesmo apaixonado”, Ana disse à Mara, rindo, me provocando.
“Ana, para com isso, vai.”
“Gente, vamos falar de outra coisa”, Bianca me apoiou.
“Pessoal, olha, acho que ele tá quase curado”, garantiu Zeca, ironizando, mas sério.
“Pô, é verdade. Hoje ele num tá tão ganzúvio”, Vandinho assegurou.
“Ganzúvio? Que diabo é isso?”, Bianca quis saber.
“Ganzúvio é ganzúvio, ora. Ganzúvio é sinônimo de macambúzio. Não sabia?”

Vandinho inventava palavras.

“Pô, tenho que acordar daqui a pouco”, eu disse, a fim de mudar de assunto. “Pegar o buzão lá no ponto-final às seis e meia pra chegar na Rodoviária a tempo de entrar no outro pra Confins, o das sete e quarenta e cinco.”
“Porra, já é uma e meia da manhã, galera”, Zeca lamentou.
“A noite é um bebê”, alguém disse no meio da zoeira e do fumacê.
“Que horas cê tem que chegar no trampo?”, Bianca me perguntou.
“Às 8h.”
“Puta-que-pariu!”, Vandinho intrometeu-se. “Pobre é foda!”
“Tá acabando, gente. Tá acabando. Logo eu saio daquela droga e fico só com as drogas que interessam”, comentei, desanuviado. Apreensivos, todos se voltaram para mim. “Álcool e cigarros, quero dizer.”

Marcos Buzana conversava baixinho com o percussionista. Corrigiam o último problema com o som. Zeca, àquela altura visivelmente bêbado, assim como todos nós, aliás, e depois de soprar a fumaça do cigarro em seu estilo inconfundível (fazendo biquinho), levantou seu aperitivo (cachaça) e propôs um brinde.

“Ao nosso amigo que não vai dormir essa noite por fidelidade à música.”
“Aêêêêê!”
“Péra, péra lá”, Vandinho interrompeu. “Mais um brinde aqui, porra. Ao amor, né? Aos amores perdidos, como não? O que seria da gente sem os amores perdidos?” E me cutucou.
“Vai se foder”, eu disse.
“Caramba, escuta essa, Zeca”, alertou Lúcia, que até então estava caladinha, só olhando. “Presta atenção!”

Começamos a cantar com o Buzana “Beiral”, de Djavan: Eu juro, te querer enquanto o ouro do turno da tarde cair no beiral. Foi como eu disse a você sem lhe ter falado. Meu lado, luz acesa de pescador. Bom de mar, quer me ver sonhar…

Enquanto ouvia Buzana, eu começava a produzir mentalmente a trama delirante do sonho que teria logo depois de desmaiar no ônibus para Confins daqui a pouco. No sonho, eu estava dando um show no Palácio das Artes, cantando clássicos da MPB (e tocando bem, sem olhar para o braço do violão). Cantava divinamente a faixa-tema do filme da minha vida naquele ano:

Sei que mudamos desde o dia que nos vimos. Li nos seus olhos que escondiam meu destino. Luz tão intensa. A mais doce presença. No universo desse teu olhar… Como te perder, ou tentar te esquecer. Inda mais que agora sei que somos iguais. E se duvidares, tens as minhas digitais. Como esse amor pode ter fim?

Ela (a deusa, como dizia a Ana) estava na plateia.

O abismo involuntário

Se não existissem a solidão, a dificuldade do amor e a morte, a dúvida e o desespero, a literatura não existiria.

Sergio Vilas-Boas

O passado nunca foi melhor que o meu presente. O meu presente é o melhor presente, e nenhuma nostalgia me orienta. Mas aprecio encarar o que se passou comigo, ou com outros na mesma situação.

Recordo-me com prazer das narrativas pessoais de gigantes como George Orwell em Homenagem à Catalunha; Gabriel García Márquez em Viver para contar; Jorge Luis Borges em Um ensaio autobiográfico; Graciliano Ramos em Memórias do cárcere; Ryszard Kapuscinski em Ébano.

Mas também textos mais focais como Da mão para a boca e A invenção da solidão, de Paul Auster; Juventude, de J.M. Coetzee; O filho eterno, de Cristovão Tezza; O ano do pensamento mágico, de Joan Didion; Patrimônio, de Philip Roth; e Antes do fim, de Ernesto Sabato.

Sabato, naquele livro, pergunta-se: “A epifanias de que enigmáticos Deuses meu destino me conduzia? Por que, aos trinta anos, quando a ciência me assegurava um futuro tranqüilo e respeitável, abandonei tudo em troca de um ermo escuro e frio? Não sei”.

Se não existissem a solidão, a dificuldade do amor e a morte, a dúvida e o desespero, a literatura não existiria. A formação ideal para um escritor está em sua própria vida. Mas o autobiografismo declarado possui outras motivações: a vaidade, o anseio de produzir algo estético, a vontade de alcançar uma comunhão com outros humanos. No caso de escritores, há ainda a compulsão de conferir um sentido à carreira literária ou à obra.

Cabe perguntar, porém, se os dramas dos (sobre) escritores têm interesse geral ou se atraem somente uma minoria de subescritores interessados nos percalços e glórias de seus pares famosos. Talvez a única maneira de exorcizarmos nossos demônios seja pela escrita, realimentando, assim, a obscuridade. A teimosia se alimenta da teimosia, como a violência se alimenta de violência.

Escritores são frágeis construtores de fragilidades; antes de haver a obra, seus projetos de obras, se pré-analisados com uma lupa, são ocos como um balão. Se você, enquanto escreve, fica tentando imaginar no que resultará o seu labor, então o melhor é você pular fora do barco. Apenas criaturas obsessivas e com egos superestimados têm chances de sobreviver ao naufrágio.

Traído pelo desejo de tentar entender por que aquela coisa não-literária me pegou dez anos atrás, volto a pesquisá-la. É raro encontrar boa literatura vivencial, não técnica, sobre ela. Compro Perto das trevas, de William Styron, relato também autobiográfico no qual o autor de A escolha do Sofia teria descrito (assim supus) seu “mergulho involuntário no abismo”.

O exemplar usado chega até mim pelo correio. Irrito-me ao ver anotações feitas a caneta. Penso em devolvê-lo ao sebo virtual com uma carta desaforada em anexo. Mas mudo de idéia ao ver comentários às margens feitos por um leitor que experimentou o mesmo mal; alguém cujo nome ou pseudônimo talvez seja Jonas Queiroz: jovem, culto, bem-humorado e morador do Pari, ao que parece.

“Eu tinha chegado àquela fase na qual desaparece toda e qualquer esperança, bem como toda a idéia de futuro. Meu cérebro escravo dos hormônios estranhos era menos um órgão de pensamento do que um instrumento que registrava, minuto a minuto, os vários graus do próprio sofrimento.” Ao que o leitor do Pari anotou: *Minha tristeza, eu não a conseguiria escondê-la, mesmo se tentasse.

Jonas devorou Perto das trevas. Estudou-o a fundo. Às menções de Styron a famosos que afundaram em dúvidas quanto às naturezas de seus próprios atos (Albert Camus, Primo Levi, Romain Gary, Vincent Van Gogh, Virginia Woolf, Cesare Pavese, Sylvia Plath, Jack London, Ernest Hemingway, Mark Rothko, Paul Celan, Vladimir Maiakovski, Ingmar Bergman…), Jonas acrescentou às margens Pedro Nava, Ana Cristina César, Julio Ribeiro, Kurt Kobain. Seus grifos não comentados também são certeiros: sensação de odiar a si mesmo; ausência de auto-estima; confusão, falta de foco mental e lapsos de memória; perda do amor-próprio; medo terrível de ser abandonado ou de ficar sozinho em casa; letargia etc. etc.

Este exemplar de Perto das trevas digerido por Jonas alterou os meus planos. Styron não vai fundo nas causas, embora fale de seu padecimento com franqueza e honestidade. Fornece poucos detalhes sobre suas próprias vivências, embora condense inúmeras descrições gerais. Mas, afinal, como estava a vida de Styron no momento em que a coisa o pegou? Ele não diz. E foi precisamente esta “lacuna” que me encheu de motivação. Hoje sei muito bem como estava a minha vida quando fui pego pela Depressão: melhor ela não podia estar.

 

Usa bem a tua liberdade

Jonathan Franzen explora com maestria o atual desacordo dos
americanos em relação a alguns valores universais.

Sergio Vilas-Boas
Rascunho“, setembro/2011

I.
das denominações inevitavelmente imperfeitas

 Nos Estados Unidos, enquanto o pós-modernismo esbanjava vigor nos anos 1990, uma nova geração de autores emergiu disposta a se livrar da ironia, da auto-reflexão e da metalinguagem que marcam seus contemporâneos. Richard Powers, William Vollmann, Dave Eggers, Nicole Krauss, Jonathan Safran Foer, David Foster Wallace e Jonathan Franzen são alguns nomes dessa turma que o crítico literário Stephen Burn chama de pós-pós-modernista.

No livro “Jonathan Franzen at the End of Postmodernism” (2009), Burn estabeleceu três distinções marcantes dos pós-pós: 1) questionar as diretrizes do pós-modernismo; 2) representar situações mais reais; 3) resgatar a importância dos personagens para a ficção. Burn situa Franzen como um dos sucessores de Don DeLillo, William Gaddis, John Barth e Thomas Pynchon. Sobre este último, Franzen leu-o aos 22 anos, quando estava na faculdade, e teve um estalo.

“Aquilo literalmente me consumiu. Ler aquele livro [“O Arco-Íris da Gravidade”] foi como ficar gripado. Foi como se eu estivesse reagindo a uma infecção muito agressiva”, disse em entrevista à “Paris Review”. “Comecei a escrever cartas pynchonianas para minha noiva na época, e acho significativo que ela tenha odiado essas cartas e tornado público esse ódio, e que eu tenha me afastado daquela voz. (…) hoje sinto que devo muito mais a diversas mulheres escritoras – Alice Munro, Christina Stead, Flannery O’Connor, Jane Smiley, Paula Fox, para mencionar algumas – do que devo a Pynchon.”

As cartas à noiva continham “aquelas frases emaranhadas, a profusão, a franqueza sacana, o fastio moderno”, como se o remetente estivesse dizendo para si mesmo: vi tudo, fiz de tudo, não quero saber de mais nada. Franzen passou quase toda a década de 1990 trabalhando em “As Correções” (2001), primeiro romance em que tenta escapar (1) do realismo primário, que pressupõe que o escritor tem acesso a uma verdade, e (2) do romance de idéias, que evidenciou uma espécie de soberba dos pós-modernos em relação a noção que se tinha a respeito de personagens.

Em seu processo formativo, Franzen levou quase duas décadas de tentativas e erros para entender que é preciso começar pelos personagens, não por documentos, pesquisas ou abstrações, aceitando que não lhe cabe escrever “de cima para baixo”. “As Correções” é o desfecho de seu processo de desintoxicação de certas influências alheias, um romance que se ocupa do irreal, do auto-engano no qual incorremos intencionalmente para nos proteger. Na visão de Franzen, “o autoengano é engraçado”, e as doses de humor do livro acabam nos conduzindo irresistivelmente ao riso.

Outra característica importante da ficção norte-americana do século XXI é a dedicação ao específico, ao close-up, à miniatura, à tribo, ao microcosmo. Mas Franzen parece mais antenado com os grandes panoramas de época dos anos 1990, como a trilogia sobre a vida na América do Pós-Guerra, de Philip Roth, composta por “Pastoral Americana”, “Casei com um Comunista” e “A Marca Humana”, e outros livros marcantes da década, como “Submundo”, de Don DeLillo, e “Infinite Jest”, de David Foster Wallace, que foi amigo pessoal de Franzen.

Estes e tantos outros romances englobaram a idiossincrasia e a singularidade, mas por ângulos bem abertos, em uma perspectiva macro. O estilo singular que Franzen apresenta em “As Correções” e “Liberdade” (recém-lançado pela Companhia das Letras) é fruto da combinação entre o realismo rés-do-chão e a panorâmica não historicista. A História é feita pelas pessoas que todo dia se levantam da cama e se ocupam, mas elas estão sujeitas à mesma História da qual não sabem que estão participando.

Os romances desse autor nascido em Western Spring, Illinois,  tampouco se assemelham ao Grande Romance Americano que seus predecessores – Saul Bellow, Norman Mailer e John Updike, por exemplo – produziram. Portentosos, robustos e abrangentes, “As Correções” e “Liberdade” remetem-nos às ficções realistas do século XIX, mas com uma particularidade crucial: a profundidade de campo. Franzen põe simultaneamente em foco inúmeros aspectos da atualidade, cativando tanto quanto refletindo (mas sem pegadas ensaísticas).

Ele fragmenta as emoções de seus personagens e cria conteúdos vastos a partir de cada experiência ou sentimento expostos. Em “Liberdade”, especialmente, explora com maestria o desacordo atual entre americanos de todas as classes e etnias em relação aos seus ideais de independência, autonomia e individualidade. Os Estados Unidos da primeira década do século XXI atravessam um momento complicado. Além de guerras inglórias, facilitaram a vida de especuladores financeiros, feriram a inteligência ambiental, deturparam a ciência e fizeram da política uma espécie de religião.

Mais que nunca, portanto, o conteúdo (a temática) é importante em um romance. “A importância do conteúdo é o que, por exemplo, Harold Bloom de fato subestima no romance. O melhor de Bloom é quando fala de poesia, porque a poesia é puramente linguagem. Mas a abordagem dele beira o nonsense quando se aplica ao romance, porque ele continua a olhar para o romance como linguagem. A linguagem é importante, claro, mas a história do romance é apenas em parte estilística. Faulkner gerou obviamente muita influência, assim como Hemingway, Joyce, Carver e DeLillo. Mas a inovação retórica é apenas um dos muitos rios que deságuam na ficção”, disse Franzen à “Paris Review”.

II.
do engajamento teoricamente correto

 Os romances de Franzen parecem ter sempre um inimigo em mente. Em “As Correções”, que vendeu quase três milhões de cópias mundo afora, o inimigo é o materialismo, que deu ao mundo drogas para mudar a personalidade e a cultura do consumismo, fenômeno antes assumidamente americano e hoje global. “As Correções” foi publicado dias antes da tragédia do Onze de Setembro e vendeu bem em parte porque os Estados Unidos que Franzen retrata no livro contêm elementos muito atuais, como se o autor estivesse antevendo as ocorrências.

A história da família Lambert, do Meio-Oeste, se fragmenta a partir do momento em que o pai, Alfred, começa a sucumbir lentamente ao Mal de Parkinson. Os filhos do casal idoso vão para a Costa Leste tentar uma vida melhor e livre da influência dos pais. Movendo-se para frente e para trás no tempo, Franzen procura retratar em detalhes o crescimento pessoal e os erros de cada membro da família, criando uma atmosfera de tensão em torno da bolha de crescimento causada pelas empresas de tecnologia.

Alfred Lambert é engenheiro ferroviário. Depois que seus filhos se mudam para a Costa Leste, ele se aposenta, mas logo começa a sofrer com o Parkinson, o que causa uma fratura em sua personalidade reprimida e metódica. Enid, sua leal esposa, sofre há décadas com o comportamento tirânico do marido, cujo processo de demência agora torna as coisas ainda piores. Enid se deixa torturar também pelas questionáveis opções de vida de seus filhos, que abandonam não apenas St. Jude (cidade fictícia), mas os valores protestantes do Meio-Oeste.

Gary, o filho mais velho, é um banqueiro bem-sucedido na Filadélfia, mas está deprimido pelo alcoolismo e suspeitando que sua vida tem sido controlada há anos pelas manipulações da esposa e dos filhos. Chip, o do meio, é um acadêmico marxista tendo de encarar as conseqüências de um caso desastroso com uma aluna oportunista. A caçula Denise é uma reconhecida chef que perde o emprego depois de se meter em um romance com a esposa de seu chefe. As mininovelas individuais acabam convergindo-se em uma manhã do dia de Natal em St. Jude, quando todos são obrigados a se defrontar com o acelerado declínio físico e mental de Alfred.

Agora todos vão refletir sobre as prováveis imperfeições de suas vidas e começar a fazer os reparos ou “as correções”: “A correção, quando finalmente veio, não foi como uma bolha que estoura de um dia para o outro, mas como um declínio muito mais suave, uma perda de valor nos principais mercados financeiros lenta como um vazamento ao longo de todo um ano, uma contração gradual demais para gerar manchetes e previsível demais para prejudicar seriamente alguém além dos idiotas e dos pobres trabalhadores”.

É evidente a temática contemporânea neste livro cujo contexto é o de um país na fase final de transição de um modelo econômico industrial para um baseado nos setores financeiro, high-tech e serviços. Essa transição resulta na bolha de crescimento causado pela demanda por produtos e serviços tecnológicos, que precisa também de “correção”, pois o valor das ações das empresas desse setor logo começa a cair. Os personagens, por sua vez, empreendem correções por motivos existenciais.

Oprah Winfrey colocou “As Correções” em seu clube de leitura, mas, sentindo-se desrespeitada, acabou desconvidando Franzen para a sua sala de visitas ao vivo porque o escritor teria dito (ele não disse) que não participava de programas populares. Dizem que é facil se equivocar em relação aos silêncios de Franzen e interpretá-los como sendo atos de indiferença. Na suprema corte da opinião popular todos os escritores são culpados de ser idiotas elitistas até prova em contrário.

A revista “Time”, que deu uma matéria de capa ano passado intitulada “O Grande Romancista Americano” semanas antes do lançamento de “Liberdade”, defendeu o escritor. O jornalista Lev Grossman afirma que “é fácil citar as falas de Franzen fora de contexto porque ele formula sentenças muito longas”. Grossman fornece o trecho de uma entrevista (anterior ao episódio Oprah) dada por Franzen a um site de livros – “a quinta entrevista que ele deu naquele dia” – em que o autor reprova o sentimentalismo de Oprah.

“Tudo isso é uma lástima porque as alegações de elitismo direcionadas a Franzen são o oposto da verdade. Ele é um dos ficcionistas contemporâneos que mais acredita nos direitos, sabedorias e virtudes das pessoas comuns, e na qualidade superior dos importunados leitores modernos”, escreveu Grossman. Franzen, por sua vez, declarou à “Paris Review”: “O tempo para leitura é tão escasso hoje em dia, e os entretenimentos alternativos são tão acessíveis, que eu penso sempre, como leitor, se o autor de um livro está experimentando algo de novo ou apenas virando a manivela”.

As temáticas sociais de Franzen podem levar a crer que ele, entusiasta da pessoa do presidente Obama, é um democrata engajado. Isso é o que se mostra na superfície. Nas profundezas de sua ficção, porém, ele parece mesmo preocupado em exorcizar os demônios de uma nação em franca decadência moral desde a virada para o século XXI. Sua solidez psicológica, que transparece em seu discurso articulado e ativo, como se ele estivesse permanentemente em estado de vigília em relação à sua época, é um sinal da autoconsciência refletida em sua escrita, uma escrita rica e complexa.

III.
das indisposições universalmente familiares

Como em “As Correções”, “Liberdade” começa com um prelúdio: o retrato de uma família e do bairro em que ela vive. O sobrenome da família é Berglund e a casa fica em um bairro intermediário da cidade de Saint Paul, Minnesotta. Walter Berglund é um advogado que trabalha para a 3M, um conglomerado multinacional. Patty, sua mulher, é a dona de casa insatisfeita e suburbana (no sentido americano do termo) que foi uma jogadora de basquete vitoriosa nos anos 1970, quando estava na faculdade. Patty agora se ocupa apenas de tomar conta dos filhos Jessica e Joey.

Todos os Berglund são construídos em seus ricos universos particulares. Parecem habitar um lar feliz, mas o solo emocional no qual esse lar está fincado é mais do que instável. Walter tem ambições inconclusas e uma raiva mal-resolvida, proveniente de sua história como filho de um vigia alcoólatra de motel. Engaja-se numa campanha extravagante para salvar uma ave ameaçada de extinção. A falta de uma carreira persegue Patty, cuja infância tampouco foi fácil. Ignorada pelos pais em favor de suas duas irmãs teoricamente mais inteligentes, ela se encolheu.

O primeiro grande drama de Patty ocorre ainda na adolescência. Ela sai de uma festa com um colega, o primeiro a quem se entrega, mas o rapaz a estupra. Os pais do rapaz, além de ricos, são liberais apoiadores das ambições políticas da família de Patty. A inércia da mãe em relação ao episódio é brutal, e o pai, não menos omisso, aceita a alegação do rapaz de ter sido “só um pouco mais violento que o normal”. Como um adulto que se dirige a outro adulto o pai diz à filha: “Deixe para lá. Desista. Siga em frente”.

Os personagens de “Liberdade” são tão reais e vivos que poderiam sair andando de dentro das páginas. Patty e Walter têm um casamento correto, mas nada excitante. Ela, pelo menos, não nutre um desejo forte pelo marido. Ainda nos tempos de faculdade, quando era craque do basquete, ela se sentiu atraída por Richard Katz, mas nunca chegaram às vias do sexo. Richard não queria trair Walter, seu melhor amigo, e acreditava piamente que Patty e Walter se mereciam.

Patty é nitidamente a personagem central de “Liberdade”. Franzen a construiu com afinco. Sua inteligência, sarcasmo e melancolia são cativantes. Suas falas nos diálogos insinuam, discorrem, retorcem os sentimentos dos outros. Até as raras descrições físicas dela parecem propositais. Há três capítulos apresentados como esboços da autobiografia de Patty, ação sugerida por seu terapeuta, em que se misturam narração “na primeira e na segunda pessoa”, como nestes trechos auto-referentes:

“A autobiógrafa, pensando em seu leitor e na perda que este sofreu, e consciente de que um certo tipo de voz faria bem de se calar em face de uma vida cada vez mais sombria, vem tentando com todo empenho escrever estas páginas na primeira pessoa e na segunda pessoa. (…) A autobiográfa, antes de mais nada, gostaria de assinalar que seis anos são um período de silêncio longo demais. No início, quando deixou Washington, Patty achou que ficar calada era a melhor coisa que podia fazer, tanto por si mesma quanto por Walter”.

Walter é sério e consciente da encrenca em que a humanidade se meteu, e para a qual seu país vem contribuindo com emissões brutais de gases de efeito estufa. Sua ingenuidade e idealismo são perturbadores, assim como sua hesitação em relação ao amor declarado de sua assistente, a bela e inteligente Lalitha. Walter também se relaciona de maneira tolerante com as manias e compulsões do velho amigo Richard Katz, seu quase-irmão, um idiossincrático roqueiro quarentão.

Promíscuo e porra-louca, Richard é o coadjuvante mais fácil de subestimar. Mas não se trata de um niilista. Ele possui um código moral muito próprio e respeita e admira Walter por ele ser um trabalhador responsável, um marido aplicado e um cidadão politicamente esclarecido. Há dois triângulos amorosos centrais no livro: Walter-Patty-Lalitha e Walter-Patty-Richard, sendo este último o que realmente terá conseqüências tão imprevisíveis quanto devastadoras.

Competitiva, Patty está sempre em busca do reconhecimento que só obteve nas quadras de basquete. Com os filhos longe de casa, a mulher que nunca teve uma carreira depois de abandonar o basquete, torna-se deprimida e começa a beber vinho em excesso a qualquer hora do dia. Tem cada vez menos habilidade para lidar com as diferenças entre Walter e Joey, o filho mais velho que, aos 16 anos, vai morar com a namorada, Connie, filha de um “execrável” casal republicano do bairro. Patty não suporta Connie.

Para estremecer as convicções social-democratas de Walter, Joey se declara republicano e tenta o enriquecimento fácil por meio de um conluio com um fornecedor de equipamentos logísticos para as tropas americanas no Iraque. Além de favorável à invasão do Iraque, Joey quer tirar lucro do conflito com uma transação envolvendo peças de caminhões usadas vindas do Paraguai. A solução que Joey encontra para o fato de estar apaixonado por duas mulheres é comprando uma aliança enquanto está com uma delas em Nova York. Por acaso, era a insegura Connie, em lugar da apaixonante Jeena.

IV.
das ilusões supostamente elevadas

Eis as hipóteses (talvez seja mais adequado dizer “visões de mundo”) que permeiam “Liberdade”: 1) escolha é um conceito hoje deturpado por questões estritamente mercadológicas; 2) a existência de múltiplas opções por si só pode tanto libertar quanto alienar. Durante os anos do governo de George W. Bush (2001-2008), quando uma verdadeira orquestração lingüística foi operada, vigorou a ideia de que o indivíduo é quem deve escolher como deve ser “um mundo melhor”.

A principal vítima desse discurso foi exatamente a palavra liberdade, que ecoa por todas as linhas e entrelinhas do romance de Franzen. Ela está na psique das personagens, em seus diálogos desconcertantes, em letras de músicas, lápides e efígies; eleva-se como princípio definidor de uma cultura, realça atos cotidianos aparentemente inofensivos; pauta pensamentos, separações, desejos; e gera uma incontornável expectativa de redenção. A liberdade não necessariamente traz felicidade, além de tudo. Ao contrário, pode levar a um vazio entrópico.

Podemos ter pena de nós mesmos por sermos muito livres, mas é fato que evitar as formas desconhecidas de sofrimento, que decorrem de uma ação, qualquer ação, é talvez a maneira mais atual de negar a liberdade. As convicções mais sólidas são exatamente aquelas que nos impedem de experimentar a liberdade em seu mais alto grau. A liberdade também desaparece quase por completo quando consumimos nosso tempo com pensamentos e ações que evidenciam as nossas elevadas convicções, caso de Walter Berglund.

As pessoas precisam de alguma coisa que está muito além da liberdade, que é necessária, mas insuficiente. O que você faz com a liberdade que você tem, que gostaria de ter ou da qual gostaria de se livrar é o que está por trás do romance de Franzen. As pessoas parecem mais livres do que nunca para empregar tempo e recursos para se entreter com coisas que não passam de artefatos de ilusão. Kierkegaard dizia que ocupação é o estado de distração constante que permite às pessoas evitar realidades difíceis e sustentar o auto-engano. Tem sido fácil, como nunca antes, estarmos ocupados. Ou ter a ilusão de estarmos.

A era digital, com suas “devices” portáteis, nos mantêm a espera de que algo importante aconteça minuto a minuto. A primeira década do século XXI nos deu o YouTube, a propriedade universal de celulares, o Facebook, o Twitter e um verdadeiro novo mundo de ocupações e distrações. Estamos tão envolvidos pelas tecnologias que criamos, assim como por uma artilharia constante de informação atravessando nosso caminho, que mais que nunca imergir com um livro se torna socialmente útil. Franzen opera nitidamente com essa hipótese.

“Liberdade” é um romance sonâmbulo para sonâmbulos. As personagens são bastante ativas e experimentam emoções intensas, mas, no fundo, é como se estivessem dormindo. Nenhuma delas consegue prestar atenção ao que de fato está ocorrendo ao redor. Eu poderia dizer que se trata, na verdade, de um conjunto de múltiplas novelas, cada uma levando a crises diversas dentro das quais a realidade torna-se inescapável.

Para atingir seu propósito, Franzen descreve a visão dos personagens a partir das próprias situações e com as metáforas e palavras que eles usariam para descrevê-las (exceção para a voz da Patty “autobiógrafa”, que contém muito da dicção e embocadura do próprio escritor, o que prejudica um pouco a personagem). Significa empregar metáforas musicais e sexuais para Richard; construções atléticas para Patty; ambientais para Walter; monetárias para Joey. Há um manto de vozes e perspectivas no subsolo da crônica familiar.

Os recursos técnicos de “Em Liberdade” são praticamente os mesmos empregados em “As Correções”. Ambas estruturas criam uma espécie de ironia dramática. Os personagens não têm conhecimento de todas as experiências apresentadas nas respectivas “novelas” de vida um do outro. O fato de não serem escritos do ponto de vista de um narrador objetivo dilui as impressões que poderíamos ter da pessoa que assina a obra, embora Franzen esteja ali de corpo e alma, embaralhando as cartas.

“Em Liberdade” e “As Correções” são notavelmente mais acessíveis ao grande público que as obras de Thomas Pynchon, que abusou da lingüística intrincada e das próprias idiossincrasias. Franzen mostra-se competente e dedicado em extrapolar suas influências literárias. Seu amigo David Foster Wallace, experimentalista radical, que se enforcou em 2008, dizia que a liberdade que interessa é aquela que envolve esforço, vigilância, disciplina e sacrifício, quatro adjetivos que agora poderiam servir para descrever a batalha de Franzen pela reoxigenação da literatura de seu país.

“As Correções” (trecho)
“Passa muita coisa louca pela minha mesa”, disse Doug. “Sobretudo, com tanta grana que chega do exterior. As empresas ponto-com, é claro. Ainda estamos nos esforçando para convencer o americano médio a construir alegremente sua ruína financeira. Mas a área de biotecnologia é fascinante. Acabei de ler prospectos inteiros sobre abóboras geneticamente modificadas. Parece que as pessoas estão comendo muito mais abóbora neste país do que eu pensava, e as abóboras estão sujeitas a muito mais doenças do que o aspecto exterior delas, tão robusto, aparenta. Ou é isso ou então… esta empresa, a Southern Cucumtech, está violentamente supervalorizada, a trinta e cinco por ação. Pouco importa. Mas Chip, essa história do cérebro, meu amigo, não consigo tirar da cabeça. O fato estranho número um é que eu posso falar a respeito. É tudo do conhecimento geral. Não é gozado?”

“Liberdade” (trecho)
“E agora que vocês conseguiram esses empregos nesta fábrica de coletes à prova de balas”, continuou ele, “vocês vão poder fazer parte dessas economias. E vocês também vão poder ajudar a transformar em deserto cada palmo de habitat nativo da Ásia, da África e da América do Sul! Vocês também vão poder comprar TVs de plasma de setenta polegadas que consomem uma quantidade absurda de energia, mesmo quando não estão ligadas! Mas tudo bem, porque foi por isso que pusemos vocês para fora das suas casas, para poder derrubar tudo e arrancar todo o minério das suas montanhas ancestrais, e alimentar os geradores a carvão que são a principal causa do aquecimento global e de outros fenômenos esplêndidos como a chuva ácida. Vivemos num mundo perfeito, não é? E o sistema é perfeito,  porque enquanto vocês tiverem as suas TVs de plasma de setenta polegadas, e eletricidade para elas funcionarem, não precisam pensar sobre as conseqüências trágicas disso tudo. Podem ficar assistindo a Survivor: Indonésia até a Indonésia sumir do mapa!”
Coyle Mathis foi o primeiro a puxar a vaia. E logo imitado por muitos. Perifericamente, por cima do ombro, Walter viu Elder e Dennett se levantando.
“Só mais uma coisa, bem depressa”, continuou Walter, “porque eu quero ser breve. Só mais algumas observações sobre este mundo perfeito. Queria falar desses imensos carros novos que fazem menos de quatro quilômetros por litro e que agora vocês vão poder comprar e dirigir para todo lado, agora que entraram para a mesma classe média da qual eu faço parte. E o nosso país precisa de tantos coletes à prova de balas justamente porque algumas pessoas em certas partes do mundo não querem os americanos roubando todo o petróleo deles para abastecer os nossos veículos. Assim, quanto mais vocês andarem de carro, mais seguros ficam os seus empregos nesta fábrica de coletes à prova de balas! Não é um arranjo perfeito?”

SOBRE O AUTOR
Jonathan Franzen nasceu em 1959 em Western Spring, Illinois, e foi criado em Webster Groves, subúrbio de Saint Louis. Caçula de três irmãos, cresceu em um lar dominado por pais pragmáticos, que davam pouco valor às artes. Em 1982, depois de uma temporada fora dos Estados Unidos, casou-se com a escritora Valerie Cornell, de quem se separou em 1994. Seus primeiros romances – “The Twenty-Seventh City” (1988) e “Strong Motion” (1992) – chamaram a atenção dos críticos, mas conquistaram poucos leitores. “As Correções” (2001), vencedor do National Book Award e do James Tait Black Memorial Prize, consagrou-o internacionalmente. Vive a maior parte do tempo no Upper East Side, em Nova York, em companhia da atual mulher, a escritora Kathryn Chetkovich, e passa os verões numa casa em Santa Cruz, Califórnia, onde se dedica a observar pássaros. “Liberdade” (2010) foi proclamada “obra-prima da ficção norte-americana” pelo “The New York Times” e “romance do século” pelo “The Guardian”. Os livros que mais o influenciaram são: “A Cartuxa de Parma” (Stendhal), “The Greenlanders” (Jane Smiley), “O Teatro de Sabbath” (Philip Roth), “The House of Mirth” (Edith Wharton) e “A Leste do Éden” (John Steinbeck). Em 2010, sua vida e obra foi o tema de uma reportagem de capa da revista “Time”, assim como fora com J.D.Salinger, Vladimir Nabokov, Toni Morrison, James Joyce e John Updike.