PSICOISAS : REPENSANDO ATITUDES

Reclamar é impreciso

Com ou sem razão, reclamar indiscriminadamente parece grátis, mas tem um preço… Vejam que paradoxo: nos momentos em que minha vida estava de fato ruim, lutei como um autêntico guerreiro; mas nos momentos em que tudo parecia andar (e realmente andava) bem, comecei a reclamar do que faltava e do que não. Isso não me torna um indivíduo singular entre os demais da espécie à qual pertenço – a mesma que vocês pertencem. Ao contrário. E foi essa trivialidade do ato de reclamar que me levou a pensar a respeito. Ler mais

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Elogiemos a imperfeição

A crença irrefletida na perfeição pode estagnar, enquanto a aceitação do imperfeito gera movimento contínuo… O ideal de perfeccionismo me movia adiante. Ainda move, mas em grau menor. Sinais: 1) Por ter grande capacidade de perceber e reter na memória detalhes e padrões (físicos e comportamentais), incluo muitas variáveis extras nos relacionamentos e nos processos de trabalho; 2) Alimento uma desconfiança irrestrita em relação ao que faço, como se profissionalismo e qualidade elevada por si só não fossem um caminho para a excelência; 3) Reescrevi este parágrafo dez vezes. Ler mais

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Senso de privacidade

Omitir as próprias idiossincrasias é uma coisa, evitar contagiar-se pelo excesso de informações sobra a vida alheia é outra. Dizer que sou apegado à privacidade é correto, mas meus jovens leitores podem questionar: se assim fosse, você não se revelaria em um blog – ao escrever, por exemplo, sobre sua dificuldade em exercer atividades nas quais deixou de acreditar, como fez no texto da semana passada. Nada de mais. É possível uma pessoa ser pública (autoexposta) no mundo virtual e ao mesmo tempo privada (protegida em sua intimidade) no mundo concreto. Ler mais

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Dois anos de jejum

Não consegui continuar fazendo coisas nas quais deixei de acreditar, daí optei por me retirar de cena, por um tempo. Virei jornalista meio que por acaso, e valeu a pena, mas fui abandonando a atividade pouco a pouco, ano a ano, sempre tentando abrir espaços para outros modos de vida. O mesmo aconteceu com a minha trajetória de professor: investia e desinvestia conforme as demandas por bem-estar físico e mental. Principalmente mental. O único objetivo que atravessou com alguma constância pelo menos metade da minha vida foi o de me tornar escritor. E aconteceu, e também valeu a pena. Porém, experimentei – por vontade própria – um jejum de mais de dois anos.  Ler mais

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Autoajuda e antiautojuda (1)

A psicologia positiva turbinou a indústria da autoajuda e, no fundo, criou um clima de otimismo tão generalizado quanto falso… Em um mundo onde tudo se vende, até o moralismo possui valor comercial. Há moralistas em toda parte, atuando em setores diversos, pregando não o que acreditam ser o melhor para eles, mas sim o que acreditam ser o melhor para os outros. E um cobiçadíssimo subproduto desse moralismo onipresente é a felicidade, ou melhor, o ideal contemporâneo de felicidade. Ler mais

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Autoajuda e antiautojuda (2)

Pesquisadores de diversas áreas têm mostrado que a autoajuda positivista não se sustenta em pesquisas realmente sérias… Há evidências, por exemplo, de que expressar raiva não fará a raiva passar; e que pré-visualizar metas não aumentará as suas chances de atingi-las. “Outro dado que chama a atenção é que os países ‘mais felizes’ nunca são aqueles onde a autoajuda vende mais”, afirma Oliver Burkeman em seu Manual antiautoajudaLer mais

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