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Cosmopolitismo é qualidade?

Foto : Frank Jackson

Cidadão do mundo é quem pretende superar os limites da divisão geopolítica e as cidadanias nacionais. Os cosmopolitas recusam a identidade patriótica que os governos nacionais impõem e reconhecem-se como independentes por serem Cidadãos da Terra. É o meu caso. Em maio de 1992 (26 anos atrás), aos 26 anos de idade, parti de Belo Horizonte para a minha primeira viagem internacional: Nova York. Até então, eu só tinha viajado de avião uma única vez (de BH para Vitória) e nunca havia posto os pés em uma cidade cosmopolita. Minha vida nunca mais foi a mesma. Hoje moro em Florença, a alguns passos da ponte mostrada na foto acima. Ler mais 

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Adorações transversais

As linhas que separam o super fã de um idólatra compulsivo ou de um fanático insano não são fáceis de identificar. Um fã admira ídolo e obra e ponto. Já o idólatra tende a se anular como indivíduo à sombra de suas adorações. Não se gosta e tem autoestima baixa, segundo pesquisas.  E os fanáticos? Não por acaso se atraem e formam grupos coesos, impedindo-se uns aos outros de colocar em dúvida suas adesões incondicionais a uma ideia, uma fé, uma teoria ou uma pessoa. Cria-se, assim, terreno fértil para intolerâncias. Apesar dessas sutis diferenças, idolatria e fanatismo têm raiz idêntica: a idealização. Ler mais

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Comparações que apreciam

Comparar-se com os outros é tão inevitável quanto interessante, às vezes, se consideramos os possíveis efeitos educativos. Mas tenho tentado moderar as comparações, no sentido de torná-las mais pertinentes e seletivas. Enxergar o outro através de mim e me enxergar no outro é uma experiência extraordinária, que mantém ativos o corpo, o raciocínio, a existência. Acho válido, por exemplo, observar o outro sem superioridade nem inferioridade; melhor ainda quando me leva a querer “imitar” um comportamento que me impressiona positivamente.  Ler mais

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Perseverando na espera

A sabedoria de esperar (e, por consequência, de perseverar) é a base de muitos projetos bem-sucedidos, de curto e de longo prazo. Mas essa é uma habilidade que não estava escrita em meu DNA. Fui obrigado a aprendê-la empiricamente, tanto nos relacionamentos com pessoas quanto nos relacionamentos com as adversidades do dia a dia. A duras penas entendi que só vale a pena perseverar quando a recompensa futura é objetivamente melhor que a recompensa imediata (se houver); e hoje sei que lido melhor com os obstáculos diários nos momentos em que estou centrado, satisfeito comigo mesmo. Ler mais

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Reclamar é impreciso

Com ou sem razão, reclamar indiscriminadamente parece grátis, mas tem um preço… Vejam que paradoxo: nos momentos em que minha vida estava de fato ruim, lutei como um autêntico guerreiro; mas nos momentos em que tudo parecia andar (e realmente andava) bem, comecei a reclamar do que faltava e do que não. Isso não me torna um indivíduo singular entre os demais da espécie à qual pertenço – a mesma que vocês pertencem. Ao contrário. E foi essa trivialidade do ato de reclamar que me levou a pensar a respeito. Ler mais

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Elogiemos a imperfeição

A crença irrefletida na perfeição pode estagnar, enquanto a aceitação do imperfeito gera movimento contínuo… O ideal de perfeccionismo me movia adiante. Ainda move, mas em grau menor. Sinais: 1) Por ter grande capacidade de perceber e reter na memória detalhes e padrões (físicos e comportamentais), incluo muitas variáveis extras nos relacionamentos e nos processos de trabalho; 2) Alimento uma desconfiança irrestrita em relação ao que faço, como se profissionalismo e qualidade elevada por si só não fossem um caminho para a excelência; 3) Reescrevi este parágrafo dez vezes. Ler mais

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Senso de privacidade

Omitir as próprias idiossincrasias é uma coisa, evitar contagiar-se pelo excesso de informações sobra a vida alheia é outra. Dizer que sou apegado à privacidade é correto, mas meus jovens leitores podem questionar: se assim fosse, você não se revelaria em um blog – ao escrever, por exemplo, sobre sua dificuldade em exercer atividades nas quais deixou de acreditar, como fez no texto da semana passada. Nada de mais. É possível uma pessoa ser pública (autoexposta) no mundo virtual e ao mesmo tempo privada (protegida em sua intimidade) no mundo concreto. Ler mais

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O fim do jejum necessário

Não consegui continuar fazendo coisas nas quais deixei de acreditar, daí optei por me retirar de cena, por um tempo. Virei jornalista meio que por acaso, e valeu a pena, mas fui abandonando a atividade pouco a pouco, ano a ano, sempre tentando abrir espaços para outros modos de vida. O mesmo aconteceu com a minha trajetória de professor: investia e desinvestia conforme as demandas por bem-estar físico e mental. Principalmente mental. O único objetivo que atravessou com alguma constância pelo menos metade da minha vida foi o de me tornar escritor. E aconteceu, e também valeu a pena. Porém, experimentei – por vontade própria – um jejum de mais de dois anos.  Ler mais

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A banalização da autoajuda

Pesquisadores de diversas áreas têm mostrado que a autoajuda positivista não se sustenta em pesquisas realmente sérias… Há evidências, por exemplo, de que expressar raiva não fará a raiva passar; e que pré-visualizar metas não aumentará as suas chances de atingi-las. “Outro dado que chama a atenção é que os países ‘mais felizes’ nunca são aqueles onde a autoajuda vende mais”, afirma Oliver Burkeman em seu Manual antiautoajudaLer mais

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A positivação da felicidade

A psicologia positiva turbinou a indústria da autoajuda e, no fundo, criou um clima de otimismo tão generalizado quanto falso. Em um mundo onde tudo se vende, até o moralismo tem valor comercial. Há moralistas em toda parte, atuando em setores diversos, pregando não o que acreditam ser o melhor para eles, mas o que acreditam ser o melhor para os outros. E um cobiçado subproduto desse moralismo onipresente é a felicidade, ou melhor, o ideal contemporâneo de felicidade. Ler mais